O ano de 2026 começa com um recado claro para o mercado leiteiro brasileiro: eficiência deixou de ser vantagem competitiva e passou a ser condição básica de sobrevivência. O cenário combina crescimento econômico moderado, oferta mais ajustada e preços ao produtor em patamar inferior ao observado nos últimos ciclos, o que impõe uma postura de cautela estratégica aos produtores e à indústria.
As projeções indicam menor volatilidade nos preços do leite ao longo do ano, ainda que partindo de níveis mais baixos. A expectativa é de uma recuperação sazonal, concentrada entre os meses de abril e agosto. Até lá, o desafio será atravessar esse período com cautela estratégica.
Preços em queda reforçam alerta para margens
Dados recentes do Cepea/Esalq mostram retração generalizada nos preços do leite nas principais bacias produtoras do país. Estados do Sul e Sudeste registraram quedas relevantes, com destaque para o Paraná, que liderou o recuo percentual. A média nacional também apresentou retração significativa, sinalizando que a pressão não é pontual, mas sim estrutural.
Tabela – Cotação do leite

Fonte: Cepea/Esalq – 13/02/2026
Câmbio elevado pressiona a indústria veterinária
Se no campo o foco está na eficiência produtiva, na indústria o principal ponto de atenção segue sendo o câmbio. Com o dólar operando em patamar elevado, a dependência de matérias-primas importadas torna-se um fator crítico de custo, especialmente para a indústria farmacêutica veterinária.
Logo, princípios ativos, vitaminas, hormônios, insumos químicos e componentes biológicos são majoritariamente dolarizados, o que amplia a sensibilidade do setor às oscilações cambiais. A recente instabilidade geopolítica internacional, marcada por tensões diplomáticas e incertezas nos mercados globais, adiciona volatilidade ao cenário.
Gestão cambial vira estratégia de sobrevivência
Diante desse contexto, hedge parcial, compras antecipadas, contratos indexados e diversificação de fornecedores passam a ser estratégias essenciais para reduzir exposição ao risco e preservar margens.
Produtos com insumos importados, como medicamentos veterinários, vacinas, biológicos e antiparasitários, são os mais sensíveis às variações do dólar. Além dos materiais veterinários, as matérias-primas usadas na nutrição animal, como milho, soja e seus derivados, também sofrem impacto, aumentando o custo de suplementos, núcleos e aditivos.
Simultaneamente, o câmbio elevado abre uma janela de oportunidade: a maior competitividade das exportações de produtos veterinários, que pode ajudar na diluição de custos via ganho de escala e acesso a novos mercados.
Tabela – Mapa de sensibilidade cambial do mercado veterinário

Clima adiciona risco operacional à pecuária
Além das variáveis econômicas, o clima surge como outro vetor relevante de risco em 2026. As projeções indicam chuvas irregulares e temperaturas acima da média em diversas regiões produtoras, elevando o risco de estresse térmico nos rebanhos.
Tais circunstâncias afetam diretamente o desempenho zootécnico, comprometem a qualidade das pastagens e pressionam negativamente a produção de leite, sobretudo em sistemas mais dependentes de pasto. Em paralelo, o ambiente climático adverso favorece o aumento da carga parasitária e da incidência de enfermidades, exigindo maior rigor nos protocolos sanitários e de manejo.
Tabela – Clima & alertas por Estado

Fontes: INMET; CPTEC-INPE; ANA – leituras consolidadas de mercado climático
Agenda rural reforça papel da informação técnica
Nesse cenário desafiador, a agenda rural de janeiro e fevereiro de 2026 cumpre papel estratégico ao promover atualização técnica, troca de experiências e acesso a novas tecnologias. Feiras, dias de campo e encontros setoriais em estados como Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso reforçam a importância da informação qualificada como aliada da tomada de decisão.
Eventos de grande porte, como o Show Rural Coopavel, oferecem ao produtor uma visão clara das tendências produtivas e das ferramentas disponíveis para enfrentar um ano que exigirá mais estratégia, mais controle e mais eficiência.
Tabela – Agenda rural 2026

Principais Eventos do Agro & Pecuária – até abril de 2026.

