Exportações recordes sustentam preço do boi em 2026

Alta demanda externa e valorização da carne elevam receita do setor.

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O mercado pecuário começou 2026 com força. As exportações de carne bovina cresceram logo no primeiro trimestre. Além disso, o volume embarcado atingiu o maior nível da série histórica para o período.

Entre janeiro e março, o Brasil exportou cerca de 701,7 mil toneladas. Esse número supera 2025 e 2024 com folga. Portanto, o ritmo de crescimento segue consistente.

Segundo dados da Secex analisados pelo Cepea, o avanço não foi só em volume. Houve também valorização da carne no mercado internacional. Isso fortalece a rentabilidade do setor.

Tabela 1 – Exportações brasileiras de carne bovina (1º trimestre)

Fonte: Secex/ / Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – elaboração CEPEA

Crescimento é puxado por demanda externa

A demanda internacional segue como motor principal. Países asiáticos continuam comprando em alto volume. Ao mesmo tempo, novos mercados premium ampliam as oportunidades.

Além disso, a média mensal de embarques subiu ao longo do trimestre. Em janeiro, ficou perto de 258 mil toneladas. Já em fevereiro e março, chegou próximo de 275 mil toneladas.

Outro fator importante foi o câmbio estável. Isso mantém o produto brasileiro competitivo. Somado a isso, a maior oferta de animais prontos para abate ajudou a sustentar os embarques.

Tabela 2 – Exportações brasileiras de carne bovina (No ano)

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC)

Receita cresce mais que o volume

Mesmo com crescimento mais moderado no volume, a receita disparou. No primeiro trimestre, o faturamento subiu mais de 30%.

Isso acontece porque o preço médio da tonelada aumentou. Em março, chegou a US$ 5.814,80. Ou seja, uma alta relevante em relação ao ano anterior.

Esse movimento melhora a margem do produtor e da indústria. Na prática, o setor ganha mais mesmo exportando em ritmo mais estável.

Mercado entra em fase de ajuste

Apesar dos números positivos, o cenário pede atenção. O setor começa a viver uma transição em 2026.

Primeiro, há a retenção de matrizes. Após um período de abate intenso, produtores seguram fêmeas para recompor o rebanho. Isso reduz a oferta no curto prazo.

Além disso, grandes compradores impõem limites. China e outros países adotaram cotas mais rígidas. Com isso, o crescimento das exportações pode desacelerar.

Outro ponto crítico é a logística. O custo do frete internacional subiu forte. Em alguns casos, o valor do contêiner mais que dobrou. Isso pressiona a cadeia e cria gargalos.

Preço da arroba segue sustentado

Mesmo com desafios, o cenário ainda favorece o mercado. A menor oferta interna, somada à demanda externa firme, sustenta o preço da arroba.

Além disso, a valorização da carne no exterior compensa custos maiores. Esse equilíbrio mantém o setor competitivo.

Portanto, o momento combina cautela e oportunidade. O crescimento explosivo de 2025 dá lugar a um avanço mais moderado. Ainda assim, com ganhos sólidos em valor.