Exportação de carne bovina cresce apesar do câmbio

Valorização internacional impulsiona o setor, mas custos logísticos e variações cambiais exigem eficiência e gestão estratégica da cadeia pecuária.

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A exportação de carne bovina brasileira começou em 2026 com resultados positivos. O preço do produto no mercado internacional subiu de forma consistente. Além disso, a demanda global segue aquecida, principalmente em países da Ásia e do Oriente Médio.

Dados do CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada mostram que o preço médio da carne bovina exportada atingiu US$ 5.814,80 por tonelada em março de 2026. Esse valor representa crescimento mensal e também avanço significativo em relação ao período do ano anterior.

Portanto, o cenário atual reforça a posição estratégica do Brasil como fornecedor global de proteína animal. Ainda assim, o setor precisa lidar com desafios operacionais relevantes.

Tabela 1 – Preço médio da carne bovina exportada pelo Brasil

Fonte: CEPEA / ESALQ – dados da Secex

Preço internacional sustenta o mercado interno

O aumento do valor da carne bovina no exterior tem impacto direto no mercado nacional. Isso acontece porque as exportações influenciam a formação de preços no país.

Mesmo em períodos com maior oferta de animais terminados, as cotações do boi gordo permanecem sustentadas. Dessa forma, o mercado interno mantém estabilidade, o que traz previsibilidade para produtores e frigoríficos.

Além disso, especialistas indicam que essa tendência deve continuar ao longo do primeiro semestre de 2026. Contudo, o desempenho futuro dependerá de fatores econômicos e logísticos.

Câmbio reduz ganhos da exportação de carne bovina

Apesar do cenário favorável no mercado internacional, a valorização do real frente ao dólar preocupa o setor. Isso ocorre porque a receita das exportações é convertida para a moeda brasileira.

Consequentemente, empresas precisam melhorar sua eficiência operacional. Além disso, contratos de longo prazo exigem maior planejamento financeiro.

Segundo análises do CEPEA, a volatilidade cambial tornou-se um dos principais fatores que determinam a rentabilidade das exportações agropecuárias.

Logística internacional pressiona custos ao redor

Outro desafio relevante envolve o transporte internacional. Nos últimos anos, o frete marítimo ficou mais caro devido a tensões geopolíticas e mudanças nas rotas comerciais.

O custo médio de um contêiner refrigerado utilizado na exportação de carne bovina aumentou de cerca de US$ 2.800 para valores que podem chegar a US$ 7.000. Esse crescimento elevou as despesas operacionais das empresas exportadoras.

Por isso, muitas organizações passaram a priorizar mercados com maior valor agregado. Assim, conseguem compensar os custos logísticos mais elevados e preservar a rentabilidade.

Tabela 2 – Custo médio de um contêiner refrigerado (reefer) para exportação de carne bovina

Fonte: Drewry – World Container Index (WCI)

Eficiência e estratégia definem o futuro da pecuária exportadora

O momento atual combina oportunidades e desafios. De um lado, a valorização internacional fortalece a exportação de carne bovina. De outro, o câmbio e a logística exigem decisões estratégicas.

Nesse cenário, a competitividade depende de três fatores principais:

  • – Gestão de custos
  • – Planejamento financeiro
  • – Escolha de mercados estratégicos

Portanto, o setor pecuário brasileiro continua em posição de destaque global. Ao mesmo tempo, precisa manter eficiência operacional para sustentar o crescimento nos próximos anos.